Nosso conto do mês de Novembro para apoiadores da campanha recorrente no Catarse fala sobre o robô-babá Wesley-3B e seu infeliz destino.

Sinopse: Wesley-3B é um robô-babá. Sua diretriz principal é simples e impossível de ser quebrada: garantir o bem-estar e a sobrevivência de qualquer criança a ele confiada, mesmo que isso ponha em risco a sua própria existência. Quando um acidente dá origem a um incêndio que leva à morte da criança de quem cuidava, Wesley-3B precisará lidar com a culpa e a dor que sente, sentimentos que consumirão suas entranhas robóticas e o farão compreender o lugar dos robôs nas sociedades humanas.

Esta é possivelmente história de uma série de contos que acompanham a vida de Wesley-3B, um personagem importante no universo do Cordel.

Leia o início do conto:

A mão esquerda da escuridão não é a mesma que balança o berço. Elas são mãos diferentes, feitas para trabalhos distintos. De vez em quando, no entanto, acabam se tornando a mesma coisa. O berço em chamas e o quarto avermelhado pelo fogo comprovavam o que digo. Às vezes, as trevas brotam da luz.

Era 21 de novembro de 2358 e ninguém estava em casa além de Wesley-3B (um robô) e a criança. O robô era um modelo de babá eletrônica inventado uma ou duas décadas atrás. Dentro dele havia tudo o que um recém-nascido necessitaria para sobreviver — de leite fresco a tiras de plástico que, quando coladas sobre as bundas das crianças, se transformavam em perfumadas fraldas com um toque acetinado. Dentro de Wesley havia também tudo o que uma criança de cinco ou oito anos precisaria; e tudo o que um pré-adolescente de doze poderia querer.

O robô era um reflexo metálico e platinado de uma época em que as idas ao cinema, ou ao restaurante preferido do casal, não precisavam mais ser atrapalhadas pelo choro ininterrupto do filho ou a pirraça da menina que queria comer panquecas com calda de chocolate na hora do jantar. Tudo isso poderia ser arranjado pelos pais, configurado de antemão com alguns toques na interface luminosa de uma unidade Wesley-3B. E então, livre da perturbação da criança, o casal poderia assistir à estreia do último holofilme ou comer cordeiro à moda de Saturno em um das mais de treze mil e trezentas unidades do restaurante Madeiras.

E o casal secretamente agradeceria por isso, aproveitaria o momento de paz tendo a certeza de que, em casa, sua prole estava bem, cuidada por uma unidade Wesley-3B — incapaz de amar e igualmente incapaz de machucar. Mas não naquela noite… não naquela rua. Não no apartamento em chamas.


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