Trechos do vídeo-documentário “Memórias muito próximas do Sol”, financiado por meio de doações do Sindicato Mercuriano:

DORO PATEL, expedicionário do Consórcio Tumbuctu: “Mercúrio era pó quando a gente chegou lá. Puro pó. O governo terrestre usou uma daquelas bombas CHER na tentativa de criar uma atmosfera artificial no planeta, mas todo mundo sabe que aqueles troços são muito ruins em terraformação... Foi só quando instalaram motores Wiracocha na superfície que a coisa melhorou. Depois disso é que chegamos lá, a gente fazia parte do primeiros destacamento de colonizadores enviado pelo Consórcio Tombuctu, o aglomerado de empresas que venceu o leilão pela colonização de Mercúrio e de Marte. Erguemos com as nossas mãos a primeira tenda pressurizada que ia dar origem à cidade industrial de Caloris, o berço da civilização em Mercúrio”.

SULLA SIRANDA, historiadora local: “O plano do Consórcio para o planeta sempre foi estabelecer nele um complexo industrial que atendesse à demanda crescente por produtos manufaturados no Sistema Solar. Queriam aproveitar sua proximidade do Sol para extrair energia dele, alimentando as fábricas. Funcionou. Era uma ideia boa, mesmo. Mercúrio hoje tem mais indústrias que casas, segundo o último censo. Nas poucas cidades vivem os trabalhadores, os humanos e os robóticos. Nessa busca louca por desenvolvimento, a qualidade de vida caiu, mas a dos produtos subiu. Típico. Mais forte que as indústrias mercurianas só o Sindicato Mercuriano, a força sindical mais importante do Sistema Solar. São a única coisa que se interpõe entre a roda do progresso e os trabalhadores (e fazem isso com valentia, às vezes arriscando sua própria vida). Mercúrio se tornou isso: trabalho e luta. Mas que vida humana também não se torna isso com o tempo?”


Este artigo faz parte da série especial sobre os planetas do Sistema Solar no universo do Cordel.